O Jornal TimbóNet lembrou da catástrofe de Novembro de 2008, e lembrou a matéria que o Jornal Folha de Blumenau publicou em relação ao soldado José de Souza(o então recém eleito Zéca Bombeiro) e o trabalho de sua equipe no resgate e auxílio a vitimas.
Enquanto para a maioria da população de Blumenau a calamidade foi percebida na tarde de domingo (23), a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros do Município já conviviam com ela na noite do dia anterior. Para a equipe do soldado Zeca Bombeiro, o trabalho de resgate às vítimas das chuvas começou na noite de sábado (22), quando foi atender moradores da rua Botuverá, na Itoupavazinha.A partir daí, não parou mais. Durante toda a semana a equipe passou resgatando pessoas em diferentes localidades do Município, desobstruindo ruas para que o socorro pudesse chegar, retirando árvores e lama das casas e tentando confortar famílias, que perderam parentes e, na maioria dos casos, tudo o que tinham.
Para mostrar como agem os bombeiros em situações limites - os dias e noites de angústia e de trabalho árduo no socorro das vítimas das chuvas, a Folha acompanhou a equipe do soldado Zeca Bombeiro durante a semana, trabalho que continua até a situação ficar mais próxima da normalidade.
Sábado (22), 22h30min
A equipe do soldado Zeca Bombeiro é acionada para socorrer vítimas de soterramento na rua botuverá, na Itoupavazinha. “Quando chegamos ao local, algumas casas tinham sido cobertas por lama e terra que desceram do morro. Era muita destruição. Três pessoas morreram e uma foi retirada com vida e transportada para o hospital”, conta Zeca.
A partir daí, as ocorrências se sucederam. Então, foi constituída “oficialmente” uma equipe, com quatro bombeiros, para socorrer vítimas em diferentes localidades, cortar árvores que ameaçavam cair em cima de casas, outras que estavam em vias públicas e sobre residências. Os trabalhos da avançaram madrugada a dentro.
Domingo (23), 5h
“Eram 5 da manhã quando nos deslocamos para o bairro Testo Salto, um dos locais mais críticos. Lá ficamos até as 8h, resgatando pessoas, desobstruindo ruas e estradas e cortando árvores que ameaçavam cair em cima de casas. O rio subiu muito rápido e deixou muitas famílias ilhadas, que precisaram se resgatadas”, lembra o bombeiro.
De volta à unidade do Corpo de Bombeiros, no Salto do Norte, a equipe foi novamente acionada às 10h, desta vez para atender a comunidade de Belchior Central (Recanto Verde, Cascanéia). “Estava tudo alagado e muita terra já tinha descido”, conta Zeca, lembrando da explosão no gasoduto. “Estávamos muito próximos da explosão, parecia o fim do mundo, muita gente correndo apavorada”, completa.
A equipe passou o dia resgatando pessoas na região e deixou o local às 2h. Mais de 30 famílias foram resgatadas e levadas para o bairro Fortaleza Alta. “Nossa preocupação era tentar acalmar as pessoas durante o resgate”, diz.
Segunda-feira (24), 6h
Nem bem chegaram à base, a equipe do soldado Zeca Bombeiro já foi novamente acionada para socorrer mais vítimas, na rua Santana, na localidade de Alto Serafim, na divisa entre Luiz Alves e Gaspar. “Andamos oito quilômetros a pé, não havia outra forma para se chegar ao local, estava tudo destruído. Uma família estava soterrada. Dos oito membros da família, cinco morreram”, conta, lembrando que, no total, a equipe resgatou 120 pessoas, que foram levadas para uma marcenaria, em um local mais alto. “Já não havia mais perigo de deslizamento”, disse, informando a morte de uma senhora, de sobrenome Stein, que também foi soterrada.
O trabalho continuou durante todo o dia e parte da manhã de terça-feira (24).
Terça-feira (25), 11h
A equipe foi para o Morro do Baú - a pé -, onde encontrou um cenário de total destruição. “Morros de 500, 600 metros de altura, de milhões de anos, desapareceram. Fechou morro com morro”, conta Zeca, informando que o vale não existe mais.
No local, dezenas de famílias foram atingidas pelos deslizamentos de terra. A equipe de resgate, com auxílio de helicópteros da Força Aérea, começou os trabalhos de remoção das vítimas. Havia muitos mortos, 25 feridos, a maioria grave, e outras em estado de choque. “Pelo menos nove pessoas ainda estão soterradas”, estima Zeca, informando que continuavam desaparecidas na localidade sete pessoas - duas crianças de sete e oito meses, uma senhora de 60 anos, dois homens de 38 e 55 anos e dois adolescentes de 14 e 16 anos..
Na última viagem do helicóptero, às 14h30, o soldado retornou ao quartel e mais tarde foi comprar medicamentos, que foram enviados às vítimas. A partir das 17h, a equipe voltou a desobstruir vias públicas e a auxiliar famílias. Tarefa que terminou por volta das 21h30.
Quarta-feira (26), 7h
A equipe foi acionada cedo para socorrer as vítimas da rua Jurema Beckhauser, no Fortaleza. “Encontramos o mesmo cenário de outras localidades. Muita destruição, uma tristeza danada”, relembra, informando que a cena se repetiu no Badenfurt, Fortaleza, Itoupavazinha, Belchior e nos demais bairros da cidade.
Quinta-feira (27), 7h30min
A equipe continuou os trabalhos de desobstrução de vias públicas e de cortes de árvores que ameaçavam cair em cima de residências ou que já tinha atingido casas. “Na rua Johann Sachase, no Itoupava Norte, socorremos a senhora Zilma, de mais de 70 anos, e o senhor Laércio, de 30, atingidos por deslizamento de terra”, conta Zeca, lembrando o resgate de duas outras famílias na mesma região.
Os trabalhos da equipe de prosseguiu até as 19h30min, quando retornou à unidade. “É muito exaustivo. O solo encharcado dificulta o trabalho. Andamos com lama até os joelhos”, diz.
Sexta-feira (28), 7h30min
Os bombeiro foram deslocados para a região da Vila Formosa. “A destruição é a mesma. Nunca vi nada parecido. Blumenau nunca passou por uma catrástrofe generalizada como essa”, diz Zeca, lembrando que as mortes registradas no Município se deram pelo deslizamento de terra. “Foi uma semana de trabalho árduo, mas muito gratificante, porque conseguimos socorrer pessoas e ajudar muitas famílias desesperadas”, conta, informando que, neste sábado (29) e nos demais dias da semana, os trabalho continuam, “até que não haja ninguém para ser resgado, nenhuma região isolada pela barreiras e vítimas sem atendimento”
Fonte: TimboNet

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